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Dicas para conter seu pet leitor

Seu pet curte ler? O meu adora – e tem especial predileção por García Márquez e Lewis Carroll.  Perdi as contas de quantos livros meu diabinho da tasmânia destruiu, mas aprendi (pela dor) a lição. Minhas dicas para conter a intelectualidade dos leitores peludos são: 1 – Não coloque os livros onde eles possam pegar, não seja idiota (#essecarasoueu); 2 –  Borrife um tiquinho de perfume na frente da estante (com cuidado pra não perfumar seus livros, isso não é bom). Tentei colocar aqueles vidrinhos de essência. Resultado: ele pegou o vidrinho; 3 – Não xingue ou se desespere quando o cão leitor pegar seu livro. Essa era sempre a minha primeira reação, o que só dificultava o rolê. Não sei se você sabe, mas cachorros não falam
o apanhador no campo de centeio Ler artigo

O Apanhador no campo de centeio

Antes de começar a ler O Apanhador no campo de centeio, falei sobre ele na terapia. Tive que falar. Eu morria de medo de ler o livro e, sei lá, fazer uma doideira. Lembro que a terapeuta perguntou: você acha que faria? E eu disse: não. Mas, honestamente, não acho que a maioria das pessoas que acaba fazendo uma doideira achou, algum dia na vida, que faria. Essa concepção de que talvez eu fosse uma dessas pessoas me foi criada pela mística por trás de O Apanhador, de J.D. Salinger, publicado em 1951. O livro é um clássico. A narrativa encontra o fim de semana de Holden Caufield, que precisa entrar de férias mais cedo após repetir em todas as matérias da escola. Sua família é rica, ele tem traços inexoráveis de inteligência (inclusive emocional), mas é bem
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Reflexões e livros sobre terrorismo

Acordei buscando materiais sobre o 11 de setembro. O assunto me é caro, minha monografia foi sobre ele e acredito que fazer reflexões e ler livros sobre terrorismo é uma forma de entender mais sobre o que se deve combater. De tabela, encontrei o filme 22 de Julho, dirigido por Paul Greengrass, diretor de Voo United 93. 22 de julho narra o atentado ocorrido nesse dia, em 2011, na Noruega. O extremista Anders Breivik comandou a explosão de uma van perto a um prédio do governo, liderado à época pelo Partido Trabalhista. Na sequência, abriu fogo na ilha de Utoya, onde centenas de adolescentes faziam um acampamento político. Embora bem interessante, não vim falar do filme, disponível na Netflix, e sim da sensação que ele me gerou. Infelizmente, tive a impressão de que o
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Como Dom Quixote foi parar em O Poço?

Nota1: esse texto contém spoilers do filme O Poço. Se ainda não assistiu, mas pretende, não avance na leitura. Nota2: não coloquei a paginação das citações de Dom Quixote pois minha versão é a da Apple livros, que muda as páginas de acordo com o dispositivo (celular, computador, tablet). Se você quiser consultar uma das citações em específico, deixe-a nos comentários e eu aviso em qual capítulo ela se encontra. Nota3: a análise abaixo foi feita de acordo com minhas próprias interpretações do filme e do livro e, portanto, não tem teor de pesquisa.  *** Goreng queria parar de fumar e ler Dom Quixote. Segundo o próprio nos conta, foi para isso que se candidatou a uma “vaga” em O Poço, a prisão vertical distópica do filme de mesmo nome. Quando
preguiça de ler Ler artigo

Livros para quem tem preguiça de ler

Quando alguém me diz que quer indicações de leitura pra quem tem preguiça de ler, eu fico é feliz: pelo menos há o interesse em começar a desenvolver esse hábito. Antes de tudo, vou advogar em causa própria: ler é uma delícia. Só esse argumento já poderia ser argumento o suficiente. Mas eu sei que o buraco é bem mais embaixo. No Brasil, da última vez que chequei, 44% das pessoas não tinham o hábito de ler e a média de livros lidos em um ano era de 3 a 4.  Ler é uma atividade que demanda um tempo de dedicação. Diferente de um filme ou peça de teatro, que levam apenas algumas horas para contar a história, o livro pode consumir dias, ou meses, de quem o pega pela mão.  Contudo, é bom lembrar: todo mundo que lê muito começou do mesmo jeito: do
Antonio Scurati o fim de uma era Ler artigo

O fim de uma era – Antonio Scurati

Acabo de me encontrar com esse texto e acredito que ele é o texto que nos descreve. Esse é o primeiro texto brilhante que não invejo não ter escrito. Espero não ter que ver, da minha janela, as mesmas coisas que o escritor Antonio Scurati vê, da sua, em Milão: *** Vivo em Milão, até ontem a mais evoluída, rica e brilhante cidade de Itália, uma das mais desejadas do mundo. A cidade da moda, do design, da Expo. A cidade do aperitivo, que deu ao mundo o Negroni Sbagliato e o happy hour, e que hoje é a capital mundial do Covid-19, a capital da região que, sozinha, soma trinta mil contágios confirmados e três mil mortos. Uma taxa de mortalidade de 10 por cento, os caixões empilhados à frente dos pavilhões dos hospitais, uma pestilência vaporosa que paira sobre
Carl Sagan literatura Ler artigo

A herança literária de Carl Sagan

Ao finalizar a leitura de Contato, romance escrito pelo astrônomo Carl Sagan (1934-1996) em parceria com sua esposa, Ann Druyan (que produziu a série Cosmos, estrelada pelo físico), tive o seguinte pensamento: isso não é um livro, é uma herança literária. Esse sentimento também me ocorreu quando terminei O mundo assombrado pelos demônios, a primeira obra de Sagan que tive o prazer de ler. Foi através dela que conclui ser impossível, para alguém que gosta de ciência e bons livros, passar por essa vida sem ler tudo que ele deixou para a humanidade. É por isso que decidi não fazer um texto-resenha para cada livro dele, e sim compilar todas as dicas de leitura em um único textão (esse aqui, mesmo), porque Sagan merece uma redação à altura. Vou aproveitar esse
meta para 2020 Ler artigo

Em 2020 eu vou…

O Literama completou, em 1/1/20, um ano de história. Devo dizer que, na era dos booktubers, vídeos e stories eternos, escrever – sim, usando palavras! – em um blog é um grito de resistência. Tá, talvez eu esteja exagerando. ;p Talvez seja preciso seguir a corrente, fazer uns vídeos de vez em quando, entrar de sola nas tendências digitais, porque, afinal, não é o mais forte ou o maior que sobrevive, e sim quem se adapta. Mesmo assim, não posso deixar de lado o fato de que sou das antigas, vou fazer 33, e tenho ainda essa velha mania de ler, mais que ouvir. O Literama é tão meu quanto de qualquer outro leitor e, por isso, sou apaixonada por esse espacinho que a internet me destina. Mas vamos ao que interessa: ler. Em 2019 eu li 33 livros. Alguns já tiveram
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Ócio criativo: procrastinação ou trabalho?

Antes de conhecer o conceito de ócio criativo, uma das coisas que eu sentia com frequência era culpa. Afinal, sou dessas pessoas que adora tirar uma soneca depois do almoço, mas que nunca admite publicamente porque tem medo de ser taxada de preguiçosa.  Eu, de fato, me sentia bem preguiçosa. Às vezes, ainda acho. Mas só às vezes. E vou te contar a razão. Dia desses, nessas biografias que leio, me deparei com algo que mudou minha forma de entender o ócio como ferramenta de tempo: Charles Darwin adorava um cochilo de uma hora na parte da tarde. E, mesmo dormindo depois do almoço, ele fez o que fez. Bom, se Darwin pode, por que eu não poderia? Descobri, cavoucando mais informações sobre os gênios que dormiam depois do almoço, um termo bem atual, cunhado
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Dica de leitura: Hibisco Roxo

Por Viviane Fontes
Hibisco roxo, obra de Chimamanda Ngozi Adichie, é algo que precisa ser lido. Kambili é uma adolescente de 15 anos que vive em uma grande casa, confortável e aconchegante, com a família. O pai Eugene, homem rico, dono de indústrias e de um jornal, a mãe Beatrice, dona de casa, e o irmão mais velho, Jajá. É através do olhar da menina que conhecemos um pouco da Nigéria e toda sua complexidade. Trata-se de um país subdesenvolvido com enorme desigualdade social, onde as pessoas vivem à sombra da influência dos colonizadores e da Igreja Católica. As mulheres, subjugadas, levam a vida de acordo com as regras do patriarcado.  A família vive sob a vigilância de um pai austero, católico devoto, cuja crença não permite que os filhos convivam com pessoas ou

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