A Menina que Roubava Livros – e alguns corações

Participar de amigo oculto nunca foi minha atividade preferida no ano; mas, em 2011, me surpreendi: o presente que ganhei acabou sendo aquilo que eu queria. Ou melhor, precisava.

Quando ganhei A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak, tinha boas expectativas quanto à leitura. Via a obra como a típica história que deveria virar filme. Em janeiro de 2014, esse sonho virou realidade.

Liesel Meminger é uma menina que, no meio da Segunda Guerra Mundial, aprende a ler e se apaixona pelo ato de furtar livros de bibliotecas particulares abastadas. Quem narra sua saga é a Morte. Como o próprio livro diz, quando a morte conta uma história, o mínimo que se deve fazer é parar para ouvi-la.

É impossível explicar as aventuras e desventuras de Liesel sem entregar desdobramentos importantes da narrativa. Esse é um daqueles livros sobre os quais eu não consigo ser efetiva ao explicar, já que é fácil estragar a experiência com detalhes que fazem a diferença.

Digamos, apenas, que trata-se de uma ficção histórica, ambientada na Segunda Guerra Mundial, centrada nas histórias de uma garota que encontra a morte três vezes – número suficiente para fazer com que a própria Morte quisesse nos contar sobre a vida de Liesel. Porque, no fundo, é exatamente disso que o livro trata, seja em bibliotecas ou campos de concentração: da morte encontrando a vida e, com sorte, das vezes em que a vida tapeia a morte.

Falar algo mais é dar informações além das que você precisa para apostar nessa leitura. Você só saberá o quanto será surpreendido/a se, de fato, começar a ler.

Contudo, mesmo sem falar absolutamente nada sobre o livro, afirmo com convicção: é preciso se entregar a essa jornada o mais rápido possível. Antes, porém, renove o estoque de lencinhos, pois é impensável não se comover com o cenário que a obra propõe, tendo como pano de fundo uma Alemanha nazista povoada por crianças que tiveram seus sonhos frustrados pela guerra.

Para além dessa proposta, A Menina que Roubava Livros é uma história sobre como as palavras podem salvar vidas, mesmo que seja como alimento para a improvável sobrevivência das pessoas em situações adversas. Ainda que falte tudo, se houver um livro a ser lido, há esperança.

Anne Frank sabia disso. Liesel Meminger também.

Além dos livros que eventualmente furta, de pessoas ricas ou pobres, Liesel compartilha seu conhecimento e afeto com amigos que, assim como ela, não veem muita perspectiva de futuro no cenário em que se encontram. Isso faz com que o romance de Markus Zusak, publicado em 2005, transmita sua alma atemporal e consiga ser eternamente crível.

Tempos como os nossos, em que a empatia parece voar pela janela ao mínimo sinal de conflito de ideias, tornam essa leitura ainda mais urgente. Sua reflexão é primordial para não nos deixarmos levar pelo constante sentimento de que sabemos de tudo. Acredite: quando começar a roubar seus próprios livros, vai perceber que não sabemos de absolutamente nada.

Para quem gosta de história do mundo, em A Menina que Roubava Livros temos não só uma personagem forte e uma narradora inesperada mas, também, descrições precisas sobre a Segunda Guerra Mundial e pensamentos filosóficos sobre as razões da existência da morte – e sua sutil delicadeza. É, portanto, leitura obrigatória para quem gosta de ficção com contextualização na “vida real” ou que busque literaturas realmente reflexivas, para além da autoajuda ou da explicação fácil.

O livro me marcou tanto que passei os anos que se seguiram à leitura querendo que minha futura filha se chamasse Liesel. Arrumei um marido e um círculo de amigos que me fizeram ser voto vencido, apesar de ainda achar esse nome um título honroso a quem o carrega.

E, mesmo que não possa nomear minha filha (que ainda nem nasceu) pela alcunha da protagonista de A Menina que Roubava Livros, jamais apagarei da memória a importância dessa personagem em minha trajetória pessoal.

Luciana, muito obrigada por esse presente de amigo oculto em 2011. Ele mudou minha vida.

 

Quer ver o que a morte tem a te contar?

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4 Comentários
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    Alana at 15 de janeiro de 2019 Responder

    Que descrição mais maravilhosa do livro! É um livro gostoso de ler que prende nossa atenção e quando não estamos lendo é difícil nao pensar nele.
    Li muito pouco livro na vida, mas que bom que este foi um deles!

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      Lais Menini at 15 de janeiro de 2019 Responder

      Obrigada, Nana! E eu concordo com você: ler A Menina que Roubava Livros é um privilégio. Espero que você se sinta atraída por mais leituras como essa! <3

  2. avatar image
    Carla at 17 de janeiro de 2019 Responder

    Nossa, que lindo! Amo livros! Acredita que tinha pensado no insta de livros com mesmo nome do seu? Agora me ferrei! Espero trocar figurinhas com você! Voce escreve muito bem, fiquei com vontade de ler o livro! @cfontes.leite, fala
    comigo la!

    1. avatar image
      Lais Menini at 17 de janeiro de 2019 Responder

      Carla, não seja por isso! Sinta como se o Insta fosse seu também, assim como o site. 😉

      Se quiser mandar dicas de posts ou textos inteiros é só me falar. Já estou te seguindo lá!

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