“Depois do fim”: um livro sobre tropeços e recomeços amorosos

Por Patrícia Cozer

Estava passeando pela Amazon em busca do meu mais novo vício literário quando dei de cara com uma capa interessante: um coração, na sua forma real, como órgão (e não como a gente gosta de desenhar ♥), com nervos que mais lembram rachaduras. É uma imagem sufocante. O título, combinando com a foto, me disse tudo: Depois do fim. Quando li o nome do autor, não tive dúvidas: comprei.

Daniel Bovolento é um escritor que “conheci” (sim, sou dessas que falam “conheci” como se eu conhecesse todos os autores que amo pessoalmente) no portal Casal Sem Vergonha. Dan (olha a íntima aqui) era um dos meus colunistas favoritos. Eu sabia que os textos eram dele já nas primeiras linhas, tamanha originalidade. A escrita me surpreendia muito: ele era capaz de transitar entre vários assuntos de forma natural e falar com o público feminino como se ele mesmo fosse mulher. Parecia sentir tudo que as mulheres sentiam.

Em Depois do fim essa pegada se mantém. Ele deixa bem clara sua sexualidade, expandindo para os textos o que é parte de si mesmo.

Depois que li, me dei conta de que, talvez, inconscientemente, não tenha sido só a foto da capa que me chamou a atenção. O meu momento pedia uma leitura dessas: eu tinha acabado de terminar (mais) um relacionamento, e o livro é sobre todas as fases pelas quais a gente passa depois do fim. Na verdade, o livro é sobre tudo que acontece antes, durante e depois.

Num dos trechos que amei, o autor diz:

Não é pontual, nunca é. Não existe um motivo: eis uma grande mentira nos términos e nas justificativas que damos ao outro quando decidimos partir. Existe uma série de coisas que ajudam a romper com o outro, a acabar com o sentimento bom, a ruir com tudo. São as traças da convivência que vão se proliferando enquanto nenhum dos dois chama a dedetização”.

Dan é aquele cara que consegue fazer você ver as coisas sob outro ângulo. Ele não é do tipo que escreve sobre términos e coloca toda a culpa no ex (até porque isso não existe, certo?), que se isenta das responsabilidades, que desmerece o que foi vivido – e eu acho isso muito bonito.

É claro que a gente não precisa ficar enaltecendo quem passou pela nossa vida e nos deixou feridas o tempo todo, mas bom senso é fundamental. Me impressionei quando ele mostrou os dois lados da moeda e provou, em um dos textos, de forma sensível, que tanto quem deixa quanto quem é deixado sofre. Ele destrói aquela ideia de “vilão” e “mocinho”, como se terminar fosse tão simples quanto virar a página de um livro.

Quem deixa percebe sinais que incomodam, percebe as coisas que colocam em dúvida o que se tem ali, tem de lidar com esse ruído enquanto convive com a outra pessoa. Quem deixa o outro, geralmente, sofre na companhia de quem não ama mais. Quem é deixado começa a se perguntar o que deu errado quando já foi abandonado”.

Me enxerguei nesses trechos diversas vezes. Voltei no tempo, refiz caminhos. As histórias não são as mesmas, os pontos de vista também não, porque, óbvio, as pessoas também não são, mas há algo em comum – sempre.

Depois do fim é um livro reconfortante, eu diria. Válido para você que deixou alguém recentemente ou foi deixada. E até mesmo para você que está indo muito bem, obrigada, mas que, certamente, também já vivenciou algumas das situações que o livro descreve.

Dan nos mostra que, apesar de tudo e de todas as dores, só o amor é capaz de tornar as pessoas suportáveis. Achei essa frase divina… porque, se tem horas em que nem a gente se aguenta, imagina aguentar alguém mais!

Uma coisa que quero deixar clara é: esse não é um livro triste. É um livro real, sobre dores reais e pessoas reais – como o autor mesmo diz, a gente se engana quando escreve achando que não estamos falando de nós mesmos. De alguma forma, sempre estamos.

Se quer saber, esse é um livro capaz de nos devolver esperança. De nos fazer acreditar outra vez. Porque depois do fim, o jogo recomeça. Simples assim 🙂

 

Gostou dessa dica de leitura?

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Sobre a autora

Paty Cozer é profissional de Letras que apostou tudo no universo freelancer para trabalhar de casa e morar perto da praia. Revisora de textos e produtora de conteúdo que se divide entre escrever, caçar framboesa e se apaixonar por Floripa.

[PS.: essa é a minha primeira resenha aqui pro Literama. Eu disse à Lais que queria me desafiar a ler pelo menos 24 livros em 2019, ou seja, 2 livros por mês, e escrever sobre cada um deles. Estamos caminhando para o fim de janeiro e eu estou indo bem. Compartilho esse desafio aqui pra virar compromisso público! Acho que funciono bem sob pressão. Obrigada pela força e pelo espaço, La <3]

2 Comentários
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    Lari Reis at 10 de junho de 2019 Responder

    Fiquei interessada! Comecei a ler a resenha com a dúvida “será que o livro é legal também para quem não está vivendo esse momento ou não o viveu tão recentemente?”. Já desconfiava que sim porque acho que aprender sobre relacionamentos é sempre legal e confirmei que vai valer a pena.

    Agora, fiquei me perguntado (não conferi se existe algo sobre isso em outros posts): como será que vai a meta de dois livros por mês? Eu estou falhando miseravelmente com a minha meta de leitura, mas vida que segue!

    1. avatar image
      Paty at 19 de junho de 2019 Responder

      Oi Lari! Te respondendo um pouco tarde mas… antes tarde do que mais tarde! Acho que esse livro vale pra qualquer momento, até porque, mesmo que a gente não esteja vivendo o fim de uma relação, algumas memórias serão despertadas… relacionamentos em geral, né.

      Sobre a meta: eu sigo firme, devagar e sempre, mas não abandonei o barco. Tudo bem que estamos em junho e eu tô no décimo livro do ano, um atrás do que o prometido, mas ainda vejo tempo pra recuperar!

      Quanto à sua meta: sem pressão. Vai que um dia você fica doida e tira o atraso? Tive uns momentos assim e bem que me ajudaram a seguir com o que prometi, viu… hahah!

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