Dica de leitura: Ligações

O que você faria se pudesse voltar ao passado?

Embora a física esmague nosso sonho de viagem no tempo, essa fantasia é algo que pode deixar alguém acordado à noite. Teria se declarado para alguém? Impediria um amigo de fazer algo ruim? Seria mais tranquila/o na adolescência? Comeria o bolo? São muitas as possibilidades para quem conhece o passado e vai até ele.

Mas uma das razões pelas quais as leis da física não permitem que a gente dê uma visitinha ao nosso eu de onze anos é por causa do tal efeito borboleta: a menor mudança no passado poderia alterar toda a história até aqui, criando uma linha do tempo paralela, diferente da que a gente está agora.

Nessa hora você deve estar pensando se eu confundi as bolas e troquei os livros para resenhar, mas calma, tá tudo certo. A resenha é mesmo sobre Ligações, de Rainbow Rowell, autora de Eleanor & Park (coisa fofa demais, leia!), mas tem tudo a ver com esse rolê de viagem no tempo, só que não fisicamente.

Por telefone.

Essa é a história de Georgie, uma roteirista que junto a seu parceiro de trabalho Seth tem a possibilidade de vender o programa dos sonhos para uma rede de televisão. O problema é que o canal quer alguns capítulos prontos dois dias após o Natal, e ela já tinha planejado passar o feriado com o marido Neal e as duas filhas na casa de infância dele, em outro estado.

Chateado com a desfeita da esposa, que precisou priorizar a carreira durante as férias em família, Neal vai para a casa da mãe no Nebraska, deixando Georgie e Seth – com quem ele tem uma rixa desde a faculdade – trabalhando no roteiro. O problema é que ele deixa até demais: para de atender às ligações de Georgie, que começa a pensar se o casamento está por um fio.

Ao pensar sobre isso, Georgie começa a se dar conta de tudo o que o marido fez para que ela pudesse ter a carreira dos sonhos e percebe que ele se anulou. Neal não é feliz.

Ficando temporariamente na casa da mãe durante a véspera de Natal, Georgie tenta ligar para Neal do telefone fixo de seu antigo quarto de adolescência e ele atende. Contudo, as coisas parecem um pouco estranhas, e Georgie rapidamente percebe que não está falando com o marido, e sim com o namorado.

O estranho telefone de Georgie está fazendo ligações para o passado.

E agora? Será que esse é o universo dizendo para ela contar ao Neal de anos atrás que ele não é feliz, fazendo com que se desapaixone por ela e eles nunca casem? Mas e se essa verdade mudar a linha temporal e Georgie nunca sequer conhecer suas duas filhas?

A protagonista se vê, então, entre dizer a verdade para o homem que a ama acima de tudo ou descobrir uma forma de salvar seu casamento, sem comprometer sua carreira ou sua amizade com Seth, seu eterno parceiro de trabalho.

Não vou dar spoilers, mas recomendo o livro. É bem divertido, a leitura é fácil, os diálogos são fluidos. É um livro rápido. Não melhor do que Eleanor & Park, que é uma fofura com a assinatura de Rowell, mas bom o suficiente para que a gente pense no que diria se pudesse, de fato, fazer uma ligação para o passado.

Para quem você ligaria? O que falaria?

Uma coisa eu tenho certeza: acho que está mais do que na hora de voltar a moda dos telefones fixos de rodinha, em que você disca os números em uma rodela de acrílico. Depois de ler esse livro você vai ter saudade de operar um desses.

E, vem cá, não sei se eles poderiam fazer alguma ligação para o passado, mas bem que poderiam ligar para o futuro e dizer que esse negócio de digitar os números na tela de um smartphone já está muito blasé. 😉

 

Pense em mim, chore por mim, liga pra mim

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