Dica de leitura: Melancia

Finalmente é chegado o momento de falar do meu livro preferido da vida. Não porque é a melhor história que já li – já li algumas, da própria Keyes, até melhores –, nem porque é a mais bem escrita. Melancia para mim significou o momento definitivo do “click”, do “é isso que eu quero fazer da minha vida”. E o que quero fazer é o que você me dá a oportunidade de fazer: escrever e ser lida.

Melancia foi a obra que, em uma versão pocket, bem vagabundinha, eu li indo para o trabalho, todos os dias, no mesmo ônibus, mesmo horário. Que me fez rir, chorar e atrair a atenção dos companheiros de viagem. Uma vez, uma passageira me perguntou que livro era esse “que me causava tantas emoções”.

Essa pergunta só confirmou que Marian Keyes despertou em mim a vontade de causar emoções.

E foi assim que ela consegui:

Melancia é a história de Claire Walsh e começa no dia do nascimento de sua primeira filha. Segurando o pacotinho nos braços, recebe a visita do marido James, que adentra o quarto de hospital para dar a notícia mais inesperada do dia: ele estava indo embora.

Tinha se apaixonado e, tão fácil e rápido quanto colocar a cueca usada em um cesto de roupas suja, resolveu sair de casa. Quanto antes, melhor, para não se apegar ao pequeno ser humano que acabava de chegar ao mundo.

Sem entender a forma certa – se é que existe alguma – de digerir a informação, Claire vê como saída imediata deixar Londres, onde morava com James, e buscar conforto e ajuda na casa dos pais, em Dublin. Apesar do acolhimento imediato da família Walsh, a confusão de sentimentos que a invade, misturados com sua situação hormonal de pós-parto e uma criança que sequer tem nome, dificulta a visão de um futuro melhor.

Será que ele existe? Será que existe um destino bacana, feito sob medida para Claire, que briga com a autoestima, o amor próprio, o ciúme, a humilhação e a vontade de dar a volta por cima, tudo ao mesmo tempo e agora?

Melancia é um livro bem-humorado sobre como superar – ou não – o trauma de um término de casamento, namoro ou paixão. É quase um guia de como viver o luto por alguém que morreu, mas ainda está vivo, e machuca tanto o coração de quem foi deixado. Há partes em que lágrimas correrão, mas, na medida do possível, Marian Keyes nos apresenta uma protagonista com a característica que mais agrada meu paladar quando degusto um livro: senso de humor.

Claire Walsh é uma vítima das circunstâncias, mas tem uma personalidade que a faz perceber que essa condição é uma escolha. É possível – aliás, é mais do que possível – olhar para toda a merda que a vida nos serve em um prato chique e dizer: me dá um garfo de prata, por favor, e pode preparar a sobremesa.

Em outras palavras, Melancia é um livro que nos faz realizar que, por mais que estejamos no fundo do poço, há escolha: esperar a corda que vai nos tirar de lá (acredite, um dia ela aparece) ou cavar mais fundo.

Qual será a escolha de Claire?

Nas palavras da protagonista,

Sinto muito, mas se esse [não] é o tipo de roteiro no qual estão interessados, então sugiro que leiam um livro diferente”. (p. 201)

Mas, se estiver precisando que o resgate ao seu coração partido chegue um pouquinho antes do previsto, esse é o livro de estreia da família Walsh, que está de braços abertos a te receber e, certamente, tem a dose certa de conselhos para te ajudar.

Leia assim que possível. Em seguida, junte-se a mim no clube de groupies de Marian Keyes.

 

Vem amar Melancia comigo!

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