Dica de leitura: O Mundo de Sofia

Acredito que meu irmão tenha sido levado a ler essa obra na sexta ou sétima série, razão pela qual sempre via o livro nas prateleiras das casas onde morei. Na juventude, ler sobre vinte e três filósofos em 540 páginas não me empolgava tanto, principal motivo para que ele continuasse intocado na estante por anos a fio.

Naquela época, tinha preguiça do que chamava de “filosofia imposta”, embora hoje acredite que não existe coisa do tipo. “Filosofia imposta” é tão sem sentido e fora de época quanto “racismo reverso”.

Em 2011, me desfiz da preguiça, travestida de preconceito, peguei o livro e embarquei na viagem. O enredo trata de uma menina xereta, bem curiosa mesmo, chamada Sofia Amundsen, que começa a receber cartas anônimas sobre a vida, o universo e tudo mais.

Não, o remetente não era Douglas Adams.

Em determinado ponto, descobrimos quem é o autor das cartas, quase ao mesmo tempo em que realidade, fantasia, Kant, Freud e a teoria do Big Bang se misturam para dar liga ao desfecho, que é surpreendente e muito bacana.

O ponto forte para quem gosta de filosofia e ficção fantástica é a reflexão, trazida por Gaarder (mesmo autor de um de meus livros preferidos, O Dia do Curinga), sobre como podemos levar a vida de diversas formas, sob vários prismas, transformando a existência em algo único, que vale a pena ser experimentado.

O Mundo de Sofia dá luz acadêmica e filosófica ao óbvio: não há certo e errado e, ao mesmo tempo, existe um universo inteiro de nuances entre esses dois conceitos.

Para quem gosta de marcar livros, outro diferencial dessa obra são suas citações, pequenas pérolas de sabedoria que ressoam no tempo e espaço tal qual a obra escrita.

Uma das minhas preferidas não só de O Mundo, mas de toda a vida, é:

Se eu pudesse escolher uma única coisa para você aprender, diria para aprender a não tirar conclusões precipitadas”.

Escrevi a primeira resenha de O Mundo de Sofia em 2011, destacando essa frase, e consigo ver que, oito anos depois, ela ainda continua atual. É de suma importância que aprendamos a não tirar conclusões precipitadas, pois elas não estão nos levando, na vida real, a desenhos de finais felizes.

Sugiro, inclusive, que você não tire conclusões precipitadas dessa pequena pincelada sobre uma obra gigantesca, mas reserve um tempo para lê-la.

O maior best-seller de Gaarder pode soar nonsense no início (acredite, eu mesma tive essa sensação), mas o discurso acadêmico embeleza essa ciência (ou arte) que precisamos recuperar para que a sociedade não se coloque em extinção: a filosofia.

Boa leitura. 🙂

 

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