Dragon Ball: um mangá sem defeitos

Tá bom, eu admito: dizer que Dragon Ball é um mangá sem defeitos é um exagero de fã. Mas a intenção é boa. O que quero dizer é que, pra mim, poucas leituras de mangá são tão divertidas quanto a dessa aventura.

Criada por Akira Toriyama, a série debutou em 1984 contando a história de Son Goku, um menino de aproximadamente nove anos que vive sozinho na floresta, após a morte de seu avô. Um dia, encontra (ou é encontrado) por Bulma, uma adolescente aventureira e fã de alta tecnologia. Após uma apresentação turbulenta, ela conta a Goku que está atrás das esferas do dragão.

Bulma é a pessoa que conta ao novo amigo – que é extremamente forte para sua idade – a lenda de Dragon Ball: sete esferas são espalhadas pelo universo e quem as une tem o direito de fazer um pedido ao deus dragão. Depois, elas viram pedra por um tempo e, após um ano, a magia recomeça, sob as mesmas regras.

Goku, animado com a novidade, decide ajudar Bulma a procurar as esferas. O que ela quer pedir, afinal? Um namorado.

Dragon Ball é uma fanfic que virou clássico

Fanfic é uma expressão que provém de fan fiction, ou ficção dos fãs. Ela é usada para dizer que um fã pegou uma história e deu novos contornos a ela, se baseando nos personagens ou no universo criado por um/a autor/a.

Em Roube como um artista, Austin Kleon defende que toda escrita é uma fanfic, uma vez que os escritores “roubam” a inspiração de seus autores preferidos. Stephen King concorda com ele em um livro escrito muito antes, chamado Sobre a escrita, e ainda defende que a ficção continue viva através dos fãs.

Em um trecho bem legal da sua “aula” sobre escrita, Stephen fala:

“Mesmo depois de mil páginas, não queremos deixar o mundo que o autor criou para nós, ou as pessoas verossímeis que vivem lá. (…) A trilogia de O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, é um exemplo perfeito. Mil páginas de hobbits não foram suficientes para três gerações pós-Segunda Guerra Mundial de fãs de fantasia; mesmo quando incluímos aquele epílogo tosco e lerdo chamado O Silmarillion, ainda não é o suficiente. Daí vem Terry Brooks, Piers Anthony, Robert Jordan, os coelhos aventureiros de A Longa Jornada e centenas de outros. Os escritores desses livros criam hobbits porque ainda os amam e querem mais; estão tentando trazer Frodo e Sam de volta dos Portos Cinzentos porque Tolkien já não está aqui para fazer isso por eles”.

Isso foi mais ou menos o que fez Akira Toriyama, anos antes. Fã da saga Jornada ao Oeste, romance chinês lançado nos idos de 1500, Akira quis criar uma narrativa que se aproximasse desse clássico oriental.

A primeira versão de Goku – que até quem não conhece, conhece –, por exemplo, era um macaco, igual ao personagem principal de Jornada ao Oeste. Contudo, ao submeter seu trabalho a uma editora, foi alertado de que feições humanas trariam mais popularidade ao personagem. E, assim, Goku virou um menino que é capaz de se transformar em macaco.

Mais do que isso, darei spoiler.

… e eu fiz a fanfic da fanfic. 😉

Dragon Ball é um mangá que me encanta tanto que, além de ler as revistinhas e assistir ao anime, eu também resolvi fazer a minha própria fanfic inspirada na fanfic de Akira Toriyama.

Minha ideia foi romancear Dragon Ball pela ótica de Bulma, que é minha personagem preferida. Até coloquei por aqui o primeiro capítulo, mas o resto ainda está só comigo.

Pra mim, criar fanfic é um ato de dar contornos seus àquilo que você mais gosta. De repente, dá pra trazer um ou outro elemento original. Mas, na maior parte do tempo, a fanfic é feita para agradar ao fã. Senão, seria chamada só de “ficção”, escrita por outra pessoa. ;p

E Dragon Ball continua a me inspirar tanto, ainda que eu já seja adulta (hahaha), que até chamei o Wendel Bezerra, dublador do Goku no Brasil, para celebrar um pedacinho do meu casamento, como surpresa para o noivo.

Dragon Ball dica de leitura

Além disso, saiu da minha paixão pela saga a vontade de fazer meu próprio mangá, Alynna, que está no catarse para financiamento coletivo. Antes de fazer o roteiro, que é ilustrado por Dan Arrows, li o livro-aula de Akira para entender como um mangá é feito.

Lá vai um spoiler de leve: quando você vir a personagem Tori, lembre-se de Akira, ainda que o nome dela seja Victoria. 😉

Dragon Ball para todas as idades

Uma das coisas que mais me agrada em Dragon Ball é que a história trabalha com a evolução dos personagem, e não só na idade. É muito legal perceber como a personalidade de cada um muda ao longo do tempo.

Antigos personagens saem, novos entram, vilões viram heróis, heróis podem ser considerados tratantes… tudo acontece nos anos subsequentes ao encontro de Goku e Bulma, embora os valores principais da trama estejam sempre em pauta: amizade, aventura e aceitação das diferenças.

Goku e seus amigos passam por muitos planetas, destroem alguns, mas continuam sempre amigos. Chegam até a conquistar inimigos pelo caminho e trazê-los para a turma. É uma história interessante para as crianças, mas com poder de fazer chorar até o mais coração de pedra dos adultos.

A série continua em livros/revistas, filmes e animes, até os dias de hoje. Acredito que em pouco mais de 30 anos, desde seu lançamento, não tenha perdido nenhum fã. Ao contrário: o tempo só aguçou o amor de quem sempre viu Dragon Ball como uma parte substancial da vida.  

E, se você aceitar essa dica de leitura, será mais um nome nessa infindável lista de candidatos a sayajin.

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