Entre surtos, terapia e um certo livro

Por Patrícia Cozer

Em setembro de 2017 pedi demissão de um emprego certinho e estável para arriscar a vida como escritora freelancer e caí num abismo, com direito a muito chororô, terapia alternativa e questionamentos que iam desde “o que eu tô fazendo com a minha vida” ao “acho que agora vai dar certo”.

A terapeuta da vez – sim, faço coleção – me indicou um livro que (morrendo de vergonha enquanto digito essas palavras) só fui começar a ler há algumas semanas, chamado “Limite Zero”. Lembram do post sobre procrastinação? Pois é. Companheira de longa data, ela.

Na época, estávamos, eu e a terapeuta, recorrendo a várias terapias ao mesmo tempo porque a situação era grave, então, pelo que entendi, só uma coisa aqui e outra ali não iam dar conta do meu descabelamento.

Entre diversas atividades para restaurar o meu equilíbrio mental e espiritual, eu tinha que ouvir a oração do Ho’oponopono todos os dias, quando acordasse e antes de dormir. Ou sempre que quisesse.

O livro é sobre como essa oração havaiana, aparentemente tão simples, transformou a vida de milhares de pessoas – e do autor, Joe Vitale, em particular.

Basicamente, tudo que temos de fazer é repetir, em voz alta ou em pensamento, as palavras-chave do Ho’oponopono, que são: “Eu sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Sou grato”.

Eu sei… você não tá botando fé. Quando a terapeuta me falou dessa oração pela primeira vez, eu também não botei (mentira, eu botei sim, porque convenhamos: eu estava surtando).

Eu não duvido dos milagres relatados no livro, sabe? Aliás, não duvidei em nenhum momento da leitura, é só que… não sei. Não é que o livro seja difícil de ler, não é isso. Mas Joe acaba pecando pelo excesso de sensacionalismo, por assim dizer.

A coisa começa logo depois do título

Você lê “Limite Zero”e logo abaixo a seguinte descrição: “o sistema havaiano secreto para prosperidade, saúde, paz e mais ainda”. Detesto esse negócio de “secreto” e boto a culpa no marketing de afiliados e fórmulas de lançamento. Grupo secreto. Vídeo secreto. Método secreto. Se é tão bom, por que tem de ser secreto? (E se é secreto, pra que contar para os outros? ;p)

A meu ver, Joe também abusa de adjetivos como “maravilhoso”, “incrível”, “surpreendente”, “sensacional”, “inacreditável” e “milagroso”, como se quisesse convencer a todo custo. E eu não sei você, mas, em tempos de marketing de gentileza e storytelling, essas palavras me soaram quase agressivas, tamanha repetição.

Até porque eu não era uma leitora que precisava ser conquistada: eu vivi a experiência da oração do Ho’oponopono na pele e posso afirmar que funciona.

A divisão dos capítulos também me irritou profundamente: Joe quase sempre terminava com um “espere só para ver o que aconteceu a seguir” ou “eu mal podia imaginar o que me estava reservado” (sim, nessas exatas palavras de um português rebuscado). Socorro, era clichê demais!

Percebi que estava aborrecida com a leitura porque a coisa não fluía. Eu lia uns capítulos num dia e largava pra lá. Comecei pelo menos dois livros novos no meio do caminho. De repente me lembrava que tinha prometido fazer resenha de tudo que eu conseguisse devorar e corria para pegá-lo de volta, pra ler na marra.

Mais para o fim, comecei a me animar, pois saí da ladainha de esperar para ver e fui levada aos exemplos concretos de cura e transformações promovidas pela prática do Ho’oponopono.

De modo geral, é um livro interessante, principalmente para quem nunca ouviu falar do método e dessa história de zerar a mente e limpar nossas memórias negativas.

Não é tão bem escrito assim, tem erros de português e essa enrolação toda que comentei (e que a mim, ao invés de convencer, só estressa), mas vale a pena. Exercitar a gratidão, reparar nas pequenas grandes coisas, entender sobre energias e a movimentação do Universo pode te fazer bem.

Esteja você surtando ou não.

 

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Sobre a autora

Paty Cozer é profissional de Letras que apostou tudo no universo freelancer para trabalhar de casa e morar perto da praia. Revisora de textos e produtora de conteúdo que se divide entre escrever, caçar framboesa e se apaixonar por Floripa.

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