Dica de leitura: Hibisco Roxo

Por Viviane Fontes

Hibisco roxo, obra de Chimamanda Ngozi Adichie, é algo que precisa ser lido. Kambili é uma adolescente de 15 anos que vive em uma grande casa, confortável e aconchegante, com a família. O pai Eugene, homem rico, dono de indústrias e de um jornal, a mãe Beatrice, dona de casa, e o irmão mais velho, Jajá.

É através do olhar da menina que conhecemos um pouco da Nigéria e toda sua complexidade. Trata-se de um país subdesenvolvido com enorme desigualdade social, onde as pessoas vivem à sombra da influência dos colonizadores e da Igreja Católica. As mulheres, subjugadas, levam a vida de acordo com as regras do patriarcado. 

A família vive sob a vigilância de um pai austero, católico devoto, cuja crença não permite que os filhos convivam com pessoas ou parentes que cultuam as tradições antigas; segundo ele, pagãs.

O cenário político no país é conturbado devido a um processo de golpe militar que afeta diretamente Eugene. Seu jornal, o Standard, é único veículo de comunicação ainda com voz para denunciar as atrocidades do governo, mas sua posição custa caro a ele e a seus empregados.

A jovem Kambili, tímida (e até medrosa, pode-se dizer), fica sem voz durante boa parte da narrativa. Ela apenas observa e relata o que vê. Em diversos acontecimentos contados, apenas obedece às ordens do pai. Nem mesmo a violência a que ela e a família são submetidas transformam seu comportamento. 

Mas tudo começa a mudar quando ela e o irmão vão passar alguns dias na casa da tia Ifeoma, irmã de Eugene. Lá, Kambili é obrigada a viver em um apartamento pequeno –  bem diferente da espaçosa casa onde mora – com a tia, seus três primos e o irmão.

Nesse ambiente, enquanto observa Jajá à vontade naquele novo mundo, vê a si mesma em situações desconfortáveis, sendo pressionada e provocada pela tia e a prima Amaka a reagir e mostrar sua opinião.

É a partir daí que vemos Kambili se transformar em uma jovem madura. Porém, esse amadurecimento acontece através de muita dor física e psicológica. Ela experimenta a angústia de perdas, algumas definitivas, outras temporárias, e descobre o amor por vias incomuns.

O sentimento talvez seja o maior responsável por mostrar a ela que, apesar das dificuldades, é possível sorrir. A menina sisuda, que não demonstra emoções ou opiniões, começa a entender que, por pior que seja a situação, ainda há motivos para se entregar à felicidade, que se encontra nas pequenas coisas. 

Hibisco Roxo e a força de Chimamanda

Em Hibisco roxo a escritora Chimamanda Ngozi Adichie fala sobre o governo militar em seu país. Também discute a herança deixada pelo imperialismo britânico ao apresentar personagens que defendem a transmissão da cultura local como parte da vida dos nigerianos. Personagens influenciados pelos colonizadores ignoram os antepassados e condenam a cultura local. 

A Igreja Católica tem grande destaque no conflito apresentado pela autora. 

A princípio, o relato de Kambili não me empolgou. Demorei a me interessar pela história. Porém, na segunda metade do livro, quando as mudanças da personagem começam a acontecer, a trama encanta e vicia. 

Chimamanda relata fatos simples do cotidiano das pessoas que vivem no mesmo país, mas com realidades antagônicas, com a sensibilidade de quem conhece de perto tais diferenças. Através da narração, acompanhamos as descobertas e conflitos de Kambili. 

Vemos, através do seu olhar, atos cruéis de violência e abuso, a interferência da religião na vida da família, o descobrimento da cultura do seu país, oculta pelos colonizadores, e o encontro com o amor da forma genuína e simples. 

A leitura me causou incômodo, às vezes indignação, mas também me despertou o desejo de ler mais a respeito do país que, até então, eu só conhecia por causa do futebol. A alegria demonstrada em campo pelos Super Águias, como é conhecida a seleção nigeriana, não é algo fácil de esquecer. 

Se os temas abordados no livro interessam a você, apresento mais motivos para ler Hibisco roxo. O primeiro é que o tempo todo você fica com a sensação de que algo muito ruim vai acontecer, e acontece, mas o final é surpreendente. O segundo motivo é a autora. Chimamanda é uma escritora jovem, negra e feminista que nos inspira. Um exemplo claro está nesse vídeo onde ela fala sobre tais temas e nos convida a uma reflexão importante. 

E o terceiro, e último, é a sede pelo conhecimento. Ler Chimamanda é, via de regra, uma forma eficaz de se tornar um ser humano melhor. Quem a lê com o coração certamente vê florescer, em si, uma nova humanidade.

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