Meus autores favoritos

Li em algum lugar que, para conseguir ver o horizonte, podemos nos apoiar nos ombros de gigantes. Concordo e fico feliz em roubar um pouco do potencial dos meus de vez em quando.

Sim, dos meus. Tenho gigantes de estimação que guardo não só na estante mas, também, na mente.

Pessoas que me guiam e alimentam com inspiração, vocabulário e estilo. Sem eles, nenhuma linha do que você lê aqui seria escrita dessa forma.

Não sei o que seria de mim sem os nomes que estou prestes a citar.

Austin Kleon fala em seu livro Roube Como um Artista que precisamos nos lembrar dessas pessoas durante o processo de criação de nossas próprias obras. Ele sugere duas técnicas muito interessantes para garantir um bom resultado:

#1 – Fazer de conta que seus artistas favoritos são membros do seu time

#2 – Colar a foto deles na parede, de modo que “observem” sua estação de trabalho

Com a técnica número #1 imaginamos estar prestes a criar algo em equipe. Todos os nomes da sua lista de preferências estão juntos para fazer a ideia acontecer. Contudo, você é o líder, o capitão do barco. Assim, seus favoritos contribuem com seus estilos, suas ideias, seus talentos, mas a decisão final é sempre sua.

Ou seja, além de não procrastinar, esperando que eles façam algo, porque só você decide, também não dá para culpá-los se o resultado não for o esperado.

Afinal, isso não é atitude de líder.

Na técnica número #2 você se sente constantemente vigiado e pode ficar com vergonha caso deixe de fazer o que é preciso. Seus ídolos estão te observando, oras! Imagine o climão.

Entusiasmada, adotei as técnicas para me guiar pelo mundo da escrita. E, como meu objetivo é esse, meu #dreamteam é formado apenas de escritores.

Se o seu for cantar, interpretar, ficar rico, empreender, viajar o mundo, etc., provavelmente terá outros mentores na parede e no faz de conta dos times. Mas te garanto que, se pegar os meus emprestado, o caminho vai ficar bem mais divertido.

Lembre-se que não existe algo como “ler demais”, e que é esse hábito o principal catalisador do conhecimento a ser adquirido. Por isso, se não der para encaixar os nomes abaixo na sua parede, tudo bem: eles vão caber direitinho na sua mochila.

Dream Team da escrita criativa

Senhoras e senhores, eis meus mentores de ofício. Eles ainda não sabem que desempenham esse papel, mas é só questão de tempo.

Akira Toriyama

É o criador de Arale e Dragon Ball e meu mentor para roteiros de HQ. Antes de começar a escrever o roteiro para minha própria história em quadrinhos (disponível esse ano, ainda!), tomei valiosas lições do seu Guia para Mangakas e tirei muitas inspirações das sagas de Goku e companhia.

Graças a seu poderio criativo, me senti impelida a escrever um romance, em fan fiction, narrando Dragon Ball pelos olhos de Bulma, e aprendi a ler e gostar de mangás.

Ernest Hemingway

Quando li “Paris é uma Festa” tive certeza absoluta que ele escreveu aquilo tudo pra mim.

Que recebeu uma mensagem do futuro, em 1963, dizendo: “vai existir uma menina chamada Laís, que vai pegar seu livro para entender seus processos criativos. Deixe notas para ela nas entrelinhas”.

Hem, se você estiver por aí, saiba que eu peguei cada recadinho que você me deixou. Todos os códigos foram quebrados, nada se perdeu. Deixa comigo, aprendi direitinho. Obrigada! Você não vai se decepcionar.

Marian Keyes

Esse é meu crush mais possível.

Já escrevi uns tweets para ela dizendo que, se puder me receber, levo um livro para ela autografar na Irlanda. O dia em que ela disser que pode, compro as passagens e parto, sem medo de ser feliz ou entrar no SPC. Já tenho a edição comemorativa de “Melancia”, em capa dura, esperando por esse momento.

Marian Keyes é a minha escritora favorita no mundo. Ela escreve exatamente da mesma forma com que sonho escrever. Jamais chegarei a seus pés, e roubo seu estilo com pudor, sem me limitar a ser sua cópia. Quero fazer meu próprio caminho através das portas que ela abre.

Mas confesso que não vou me chatear se receber o título de “Marian Keyes brasileira”, não. Será uma honra e espero estar à altura dessa comparação.

Stephen King

Li três livros de Stephen King antes de pegar o maravilhoso “Sobre a Escrita” e aprender a escrever de maneira mais ousada e maravilhosa. Não acredito em coincidências e, portanto, o sobrenome King não pode uma delas. Esse cara nasceu predestinado a reinar e serei sempre uma súdita fiel.

Minha meta de vida é ler todos os romances que Steve escreveu e, na sequência, assistir a todos os filmes inspirados em seus livros.

Se você souber onde ele mora, me avise, pois preciso mandar uma carta de agradecimento pelos serviços prestados.

É urgente.

Tina Fey

Quando penso que posso escrever para TV um dia, ninguém mais me vem à mente como modelo a ser seguido além da deusa dos roteiros. E, pra completar, ela escreveu Bossypants, livro que me inspirou profundamente a criar, crescer e aparecer.

Se algo tiver o nome dela, eu compro. Se o programa for dela, assisto. Se ela se candidatar a presidente dos Estados Unidos, eu voto. Não sei como, mas faço acontecer.

Venderia minha alma ao diabo, se acreditasse que ele existe, só para ter quinze minutos de conversa com essa mulher.

 

Só eles podem me julgar

Além de servirem de inspiração como parte do time, defini uma coisa importante para a vida que quero ter: só esses cinco podem me julgar.

Entendi, através das histórias que eles me contaram – e continuam contando, pelas redes sociais, entrevistas ou biografias com base em suas vidas –, que é desafiador viver de arte e, em particular, de escrita.

Que muitas pessoas vão ter certeza absoluta de que eu não tenho a menor ideia do que estou fazendo, e que não mereço sua atenção.

Não a delas; a sua, mesmo.

Escrever é enveredar por um caminho em que muitos tentarão mostrar que vale mais a pena fazer o feijão com arroz e ganhar seu trocado diário do que inventar mundos, pessoas e situações paralelas para ampliar o convidativo universo da ficção.

Minha decisão é a seguinte – e aqui fica registrada, pode printar: vou fazer o que acho que deve ser feito e, não importa:

  • o que pensem;
  • se jamais serei publicada em vida por uma editora;
  • quão pouco eu venda;
  • que eu não tenha seguidores ou leitores que preencham duas mãos,

não vou desistir e nem duvidar do meu potencial enquanto um desses cinco não disser, na minha cara:

– Laís, é melhor desistir. Você não presta pra isso.

Se Akira, Marian, Tina ou Stephen não se pronunciarem a esse respeito, mas o Papa, ou JK Rowling, ou cento e quinze pessoas nas redes sociais disserem exatamente essa frase, sinto muito: não vai acontecer.

Não vou desistir.

E, mesmo que quatro dos meus mentores me digam isso, ainda ficará faltando o posicionamento de Hemingway, também chamado de “benefício da dúvida”. As chances são de que ele jamais me diga para desistir, uma vez que escreveu um livro cheio de códigos para mim. ;p

E uma vez que ele já está morto.

Sugiro que você faça exatamente a mesma coisa: monte seu time de ídolos e decida que só eles poderão te dissuadir dos seus sonhos – isso, claro, se tiverem um bom argumento. Quando eles esmagarem suas esperanças, pergunte porque acham isso e não saia enquanto não te contarem a verdade.

Tirando essas pessoas, em cujas mãos você escolhe colocar seu destino, não ouse ligar para mais ninguém. Deixe que outros falem, gritem, façam pirraça e te tratem como escória. O azar é deles por perder tempo, já que qualquer coisa e nada significará, pra você, a mesma coisa.

E sabe por que? Não é porque uma blogueira falou, mas porque você estará andando sobre os ombros de gigantes. Essa altura é inalcançável para humanos comuns.

Deixe as opiniões comuns para esses humanos e tenha muito boa sorte em sua carreira artística. 🙂

Não esqueça de me dizer, se puder e quiser, quem forma seu time de mentores – não só da escrita, porque esse é meu sonho, mas de qualquer área da sua vida.

Deixe um comentário

Assine a newsletter!

Deixe seu e-mail e você receberá o Literama em sua caixa de entrada!