O melhor Sushi do mundo

Quando pego um livro de Marian Keyes para ler, faço isso muito vagarosamente.

Não pegar, ler. Pegar eu pego rapidinho. ;p

Ler é que eu sempre pretendo demorar anos. Isso não quer dizer que o livro seja ruim. Ao contrário: é tão bom, mas tão bom, que chego a ficar de luto quando o livro acaba.

Marian Keyes não está na minha prateleira de cima à toa: seus personagens sempre viram melhores amigos de infância e, quando a leitura termina, a sensação é amarga, daquelas que a gente sente quando saiu pra viajar e sabe que deixou algo para trás.

É quase como se rompesse com um grande amigo que não verei mais nessa vida – e não estou sendo exageradamente dramática. Bom, talvez esteja, mas essa é a sensação. É tenso, mas ainda assim vale a pena (ô, se vale!) ler a irlandesa, pois ela sempre deixa um gostinho de quero mais. Para a felicidade geral da nação, sempre tem mais: a escritora tem cerca de vinte livros, a maioria na lista dos best-sellers.

Antes de começar, vale um parêntese: essa resenha não seria imparcial nem se eu tentasse muito. Marian é minha escritora favorita e raramente (quando digo “raramente”, quero dizer “nunca”) encontro um problema em suas narrativas. Ela sabe ser verdadeira e nos faz acreditar que estamos lendo, praticamente, a biografia de alguém real. Por isso, basicamente, toda resenha de seus livros por aqui será uma propaganda, mesmo não sendo um publipost.

Sou #teamKeyes e, por ela, faço toda propaganda do mundo sem cobrar um mísero centavo.

Indo ao ponto, Sushi, a obra em questão, cruza a história de três mulheres: a diretora jornalística Lisa, que se muda de Londres para Dublin a contragosto, no intuito de ajudar a iniciar uma revista feminina na Irlanda; a jornalista Ashling, que anda para cima e para baixo com patuás e band-aids, consulta oráculos antes de tomar qualquer decisão e tem péssimo gosto para homens; e a dona de casa Clodagh, linda, esbelta, charmosa e terrivelmente entediada com um casamento às ruínas, dois filhos e a frustração de ter deixado a carreira dos sonhos para ser dona de casa.

As três estão em busca de equilíbrio e suas histórias se esbarram em vários pontos do caminho até que esse objetivo possa ser (ou não) alcançado. A leitura é leve e bem-humorada, marcas registradas de Keyes, mas tem boas doses de drama. Portanto, prepare-se para rir muito, mas, também, para sentir uma angústia tão aguda que, em alguns momentos, desejamos apenas que isso tudo termine.

Mas só em alguns momentos. Prometo.

Ler Marian Keyes é um treinamento bipolar: dá para rir e chorar quase que concomitantemente pelas mais de 500 páginas desse e de outros romances escritos por ela. Se você voltar nesse blog com frequência, falarei sobre todas.

Comecei por Sushi porque eu já tinha feito uma resenha dele anos atrás, para um bloguinho que eu tinha, e também porque ele aparece em um filme de um livro que curti muito – tanto o filme quanto o livro –, Como eu era antes de você. Quando vi Lou, interpretada por Emilia Clarke, lendo Sushi despretensiosamente em uma das cenas, eu quase tive um treco na sala de cinema.

É disso que estou falando!

 

Apesar de ser considerada “literatura para mulheres” (o termo seria chick lit, mas, para ser honesta, não sei se ele ainda existe ou se eu gostaria de reforçá-lo), Sushi traz mensagens que não se limitam ao universo feminino. Uma delas é que a vida não foi feita para ser equilibrada. É justamente a “falta de sorte” em vários momentos que nos leva a abrir portas novas e enxergar que o melhor ainda está por vir.

Uma das minhas citações preferidas de Sushi é:

O Dr. McDevitt suspirou. Levar um fora do namorado, ora, são coisas da vida, não são? Mas as pessoas queriam Prozac para tudo – quando perdiam um brinco, quando se ajoelhavam em uma peça de Lego”.

Uma nota pessoal: li a obra um ano antes de ser diagnosticada com ansiedade generalizada e ter que, eu mesma, tomar Prozac. Vários momentos de Sushi ressoaram durante meu tratamento medicamentoso, que finalizei em 2014.

Sushi é um livro que poderia virar filme, ou série, como todos os outros livros de Marian Keyes. Mas, como todos os outros livros de Marian Keyes, isso ainda não aconteceu. Se eu ganhar na Mega Sena um dia, pode ter certeza que vamos mudar isso aí, táokei?

Mesmo que você tenha uma extensa lista de leitura te esperando, coloque Sushi no primeiro lugar da fila e o saboreie lentamente. Quando acabar, você sentirá falta de pelo menos uma das peças do trio principal, portanto, aproveite enquanto pode.

Ah, e sobre o título, admito que gostaria de fazer aqui várias ligações entre a obra e comida japonesa, comparando as duas e dizendo como ambas são incríveis, mas não posso. Odeio comida japonesa.

 

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2 Comentários
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    Aline Amaranti at 21 de janeiro de 2019 Responder

    Amei Sushi. Tb sou muito fã da Marian. Quando estava passeando pelo seu blog li o título desse post é imediatamente pensei nesse livro. Mesmo sem ainda saber quais são suas preferências literárias.
    Bem legal seu blog. Muito sucesso.

    1. avatar image
      Lais Menini at 22 de janeiro de 2019 Responder

      Aline, muito obrigada pelo carinho! Espero que você volte mais vezes e se sinta tão animada quanto eu em ler cada vez mais. 🙂

      Eu amo Marian Keyes e não escondo isso de ninguém. ;p
      Mas, se ainda não teve oportunidade de ver, te mando aqui o texto sobre meus autores favoritos (que diz muito sobre minhas preferências literárias!): https://literama.com.br/meus-autores-favoritos/

      Um beijo!

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