Ócio criativo: procrastinação ou trabalho?

ócio criativo e procrastinação

Antes de conhecer o conceito de ócio criativo, uma das coisas que eu sentia com frequência era culpa. Afinal, sou dessas pessoas que adora tirar uma soneca depois do almoço, mas que nunca admite publicamente porque tem medo de ser taxada de preguiçosa. 

Eu, de fato, me sentia bem preguiçosa. Às vezes, ainda acho. Mas só às vezes. E vou te contar a razão.

Dia desses, nessas biografias que leio, me deparei com algo que mudou minha forma de entender o ócio como ferramenta de tempo: Charles Darwin adorava um cochilo de uma hora na parte da tarde. E, mesmo dormindo depois do almoço, ele fez o que fez.

Bom, se Darwin pode, por que eu não poderia?

Descobri, cavoucando mais informações sobre os gênios que dormiam depois do almoço, um termo bem atual, cunhado pelo sociólogo italiano Domenico de Masi. Chamado ócio criativo, o conceito significa a união entre o estudo e o lazer para produções mais satisfatórias na sociedade pós-industrial.

O que é preciso saber sobre ócio criativo

O estudo é bem longo e envolve vertentes econômicas, sociais e políticas. Mas, trocando em miúdos, podemos dizer que existe o ócio que nos faz sentir completamente inúteis e o ócio que aguça nossa produtividade.

Esse segundo é o tal do ócio criativo. 

Aprofundando um tiquinho mais, vamos lá: existe a procrastinação, que é tipo ficar diversas horas no Facebook sem aprender ou ensinar absolutamente nada de útil, e se sentir um lixo por ter perdido tempo precioso de trabalho (que ficou todo atrasado!). 

Também existe o momento de lazer, que é quando você coloca na sua rotina que toda quarta-feira você vai ao cinema no fim da tarde. Aí, se programa para aquela atividade, vai ao cinema e sai de lá, muitas vezes, com o cérebro cheio de novas ideias. 

Ou não. Às vezes, você só se divertiu e pronto. Mas até isso pode ajudar seu trabalho a ser ainda melhor. 

Em resumo, não adianta querer mais 10 horas no seu dia, porque aumentar o tempo (ainda) é impossível. E, não, você não é tão especial a ponto de o tempo se dobrar às suas vontades. Contudo, se cuidar para desenvolver uma rotina em que exista não a procrastinação, mas o ócio criativo, o relógio vira seu aliado.

Com o passar do tempo, você percebe que trabalhou bastante, mas sem se sentir exausto.

Criar é preciso

O ócio criativo serve, principalmente, para inspirar criações. Para isso, o cérebro precisa ter espaço. É aquela velha história de parar de pensar no problema para encontrar a solução. Parar de trabalhar para deixar a ideia vir.

O poder da criatividade está, justamente, nesse espaço. E, para isso, é indispensável fazer atividades que te acrescentem energia, em termos fisiológicos, para desempenhar o que deve ser feito.

Na maioria das vezes, segundo o estudo de Domenico de Masi, é mais produtivo não fazer absolutamente nada, ler um livro ou olhar para o teto, dar um passeio ou ir ao cinema, do que forçar a barra com energéticos ou outras “ferramentas de produtividade”.

Portanto, procrastinar é perder seu tempo com coisas que não poderão ser aproveitadas pela sua mente. Por outro lado, ócio criativo é descansar a cabeça para poder pensar melhor. Mas descansar de verdade, não ficar scrollando tela de rede social.

E, ao contrário do que muitos gurus da produtividade pregam, não tem problema dar um cochilo depois do almoço. E nem parar tudo no meio da tarde para escrever uma carta à mão. Continue, sim, focando em trabalhar bastante e em tomar seu cafezinho para atingir suas metas, mas sem fazer com que isso seja o único caminho para seu sucesso.

Porque, se a soneca fosse o problema, estaríamos até hoje buscando a tal da Teoria da Evolução. 

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5 Comentários
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    Lari Reis at 31 de outubro de 2019 Responder

    O melhor deste texto é que, de certa forma, eu já acreditava e fazia tudo isso. Até recomendava para os outros sabendo que fazer uma pausa estratégica é melhor do que ficar encarando a tela do computador sentido o desespero de não estar conseguindo produzir. A questão é que, apesar disso, eu ainda me sentia meio estranha às vezes. Agora, aproveitarei o ócio produtiva mais tranquila e mais confiante 🙂

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    Flávoa at 5 de novembro de 2019 Responder

    Muito bom o seu texto, Laís! Eu sou o tipo de pessoa que traz marmita pro trabalho porque não compensa ir almoçar em casa. E 99% das vezes, aproveito meu horário de almoço para ler algumas páginas de algum livro, atualizar uma série, ou até mesmo trabalhar.
    E se tem uma coisa que eu ando tendo é exaustão mental. Vou tentar convencer a minha mente que tá tudo bem descansar um pouquinho! 😀

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      Lais Menini at 5 de novembro de 2019 Responder

      Faça isso! Pensa assim: se até Darwin fez, por que não eu? ;p
      Depois me conta se conseguiu!

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    Vanessa Rêgo at 5 de novembro de 2019 Responder

    Amei seu texto. Você me incentivou a ter mais idéias de como ser mais responsável com meu tempo. Um abraço

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