Resenha: Morte dos reis

Por Viviane Fontes
morte dos reis Bernard cornwell

Após acabar com as intenções de Haesten, destruindo suas fortalezas em Beamfleot e roubar toda sua riqueza, a Morte dos Reis, sexto volume das Crônicas Saxônicas, traz mais aventuras do protagonista. Nele, Uhtred acompanha Aethelflaed ao território mércio e se estabelece em Buccingahamm. 

Apesar de, novamente, ter sido decisivo para garantir mais uma vitória a Wessex, Alfredo não quer a presença de Uhtred em seu reino. Porém, mais debilitado, vendo a morte se aproximar e sabendo da importância de ter o senhor das guerras ao lado do filho Eduardo, ele deseja que Uhtred faça um juramento ao herdeiro.

Mesmo longe de Wessex, Uhtred continua de olho nos inimigos pagãos, que não desistiram de conquistar o reino de Alfredo. Agora, em Morte dos reis, sexto livro das crônicas saxônicas, as ameaças partem da aliança feita entre Sigurd e Cnut.  

Vivendo em Buccingahamm, em uma propriedade de Aethelflaed com poucos homens, uma vez que não é mais um senhor rico, ele conta com os fieis companheiros Finan, Sihtric e Osferth. 

É durante uma manhã sossegada, na propriedade em Mércia, que Uhtred recebe a visita de um enviado de Wessex solicitando que ele seja o responsável por selar uma aliança com a Ânglia Oriental. Essa manobra é sugerida pelo rei Eohric, dinamarquês convertido ao cristianismo.

Nessa mesma manhã, o senhor de Bebbanburg é surpreendido por um ataque que tinha como objetivo matá-lo. Ao capturar dois homens do grupo, nada consegue descobrir sobre o mandante, mas o sinal de uma ameaça à sua vida havia sido ligado.

Mesmo desconfiando do interesse de Eohric, em quem não confia, Uhtred segue para o local marcado, mesmo quando seu sexto sentido o alerta que algo está errado. E estava.

No caminho para o lugar onde o encontro deveria acontecer, Uhtred se depara com Sigurd, que está preparado para executá-lo. Mas nosso senhor da guerra é… bem, o senhor da guerra. Ele resolve o problema e, na sequência, manda um aviso aos inimigos.

Morte aos reis traz a realidade de acontecimentos históricos

Atenção, se você está lendo as crônicas saxônicas e ainda não chegou ao livro cinco, aqui vai um spoiler, se bem que a história da Inglaterra está aí para qualquer um conhecer, mas tudo muda a partir daqui.

Como todos esperavam há anos, o rei Alfredo morre em 899. A partir daí o reino de Wessex passa a ser comandado por Eduardo, seu filho. A morte do monarca e o novo governo geram temores por parte dos senhores de Wessex. 

A insegurança quanto ao futuro do reino nas mãos de um jovem inexperiente, associada à ganância e desejo de poder, geram um clima de tensão e incertezas. Mas, antes de morrer, Alfredo faz as passes com Uhtred e o recompensa com terras e fortuna, garantindo que seu guerreiro de maior prestígio fique ao lado do filho.

Aquele foi um período da guerra diferente do início dos ataques dos invasores. Quando todas achavam que o clima de dúvida após a morte de Alfredo seria o momento exato para um ataque da horda nórdica, o inimigo não apareceu.

Os comandantes da igreja acreditam que conseguiram converter os pagãos e pregam a paz, levando Eduardo, dominado por eles, a não se prevenir quanto a um possível ataque. Uhtred, por outro lado, acredita que Wessex deveria organizar seu exército e atacar.

Com dois pontos de vista diferentes, há um hiato na guerra. Mas, como Uhtred sempre imaginou (afinal, conhece bem os dinamarqueses), o inimigo se prepara para uma investida que pode, enfim, colocar os nórdicos no comando de Wessex. 

É nesse momento que o senhor da guerra usa todo seu conhecimento e experiência para auxiliar Eduardo no seu primeiro grande desafio desde a morte do pai.

No centro do combate

E é exatamente nessa altura da narrativa que Bernard Cornwell presenteia seu leitor, mais uma vez, com um texto recheado de detalhes que nos levam para o centro do combate. A história foi escrita há mais de mil anos, os fatos não mudam, mas Cornwell, através do olhar de um personagem fictício, consegue nos inserir naquele momento histórico como testemunhas oculares. 

Apesar de a Morte dos reis entregar menos ação e sangue, com menos confrontos, ele nos mostra o lado político, a briga pelo poder, as manobras e traições. Em resumo, todas as características peculiares de uma ficção histórica – gênero que Cornwell trabalha como ninguém.

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