Sobre não ler

Adoro gente que entende que ler não é só um hobby, não é só uma etapa para a diversão, apesar de ser esse o primeiro passo para buscar a leitura. Ler é mais: é aprender, no sentido mais primitivo de adquirir conhecimento, e, principalmente, ler é estocar, por vias legítimas, o repertório para o entendimento.

Qualquer entendimento. Em qualquer leitura.

Amo me relacionar com quem lê porque sei que, nessa pessoa, conseguirei encontrar alento, compreensão e conversa, em doses mais aconchegantes do que geralmente consigo com pessoas que não leem.

Dia desses, passando pelo Facebook, encontrei o relato da Vivi, professora de publicidade que tem o hábito de fazer posts atraentes sobre qualquer assunto – ou seja, consegue ser sua própria alma do negócio. 😉

E é por causa de posts como esse que ainda não larguei minhas redes sociais pessoais. Toda vez em entro no mundo digital, procuro por esses pedaços de pão que, jogados pelo caminho, vão me mostrar onde mora a sanidade mental na era da informação.

Pedi autorização a ela para colocar aqui seu desabafo e espero que ele te atinja tão intensamente quanto me atingiu.

E peço: se você tem esse tipo de post nas suas redes sociais, por favor, me pede amizade, me marca e vem ser meu/minha amigo/a. É esse tipo de companhia sincera que ando buscando nessa vida e continuarei perseguindo em todas as próximas.

Se alguém te perguntar quantos livros você leu…

(Por Viviane Loyola, professora universitária)

 

Se alguém te perguntar quantos livros você leu no último ano e você tiver que responder “nenhum”… não coloque um sorrisão no rosto.  

Responda com um pouco de cautela, de vergonha, de tristeza. Não deboche nem comemore não ter lido nenhum livro. 

Ler é uma forma de se interessar pela vida. Não é a mesma coisa que não gostar de sorvete de morango. Não ler não é a mesma coisa de não gostar de funk. Não é um gosto como outro qualquer, não é uma farra.

Não ler é não prestigiar artistas tantas vezes talentosos que vão ter que vender brownie para sobreviver porque não se vive de escrever nesse país.

Não ler é conhecer menos a língua.

Não ler é não exercitar a capacidade de parar, se concentrar, imaginar tantas coisas sem sair do lugar.

Não ler é péssimo.

Você pode substituir um livro por uma música? Por um vlog? Por um filme? Por uma série do Netflix? Por outras formas de conhecimento?

Sim. Há outras formas de se conhecer o mundo.

Mas, ainda assim, eu olharia encabulada para o chão se tivesse que responder: “eu não li nenhum livro”.

Porque se posso ler, se aprendi a ler, se um livro passa por mim, eu pego e leio e amo e odeio. E, depois de tudo, ainda escrevo, porque quem muito lê faz da escrita sua caminhada.

Com as palavras da Vivi, te pergunto: quantos livros você leu no último ano? E qual deles mais impactou sua jornada?

Já te respondo que li 35 e o que mais mudou meu modo de pensar o que faço e me mostrou a luz foi “Sobre a Escrita”, de Stephen King. Em 2017 foi “O Mágico de Oz”. E, em 2009, foi “Melancia”.

Tenho muito a conversar com você sobre livros. Se você também tem muita coisa pra falar, toca aí o/. Não vou te deixar falando sozinho/a. 😉

2 Comentários
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    Vania E S Abreu at 4 de janeiro de 2019 Responder

    Tem um mal quando pego um bom livro: me torno antissocial. Näo quero nem atender telefone? Não quero que ninguém me tire do meu mundo imaginário.

    1. avatar image
      Lais Menini at 5 de janeiro de 2019 Responder

      I feel you, sister! Sou do mesmo jeito. Tem hora que a vontade é ter uma brusinha escrita: “me esquece até eu terminar de ler”.

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