Dica de leitura para parar de procrastinar

Por Patrícia Cozer

Comecei a perceber que a procrastinação era um problema grave na minha vida quando passei a adiar não só as tarefas domésticas (coisa que detesto), mas toda e qualquer tarefa. Inclusive as profissionais.

Montada nas piores ideias do mundo, do tipo “é claro que vou dar conta”, “vai dar tempo sim” e “não preciso resolver isso agora”, fui me enrolando a tal ponto que um grande amigo chegou pra mim e soltou:

– Você não acha que é uma boa falar dessa tua coisa de adiar na terapia?

Tremi na base, e, como boa procrastinadora, adiei esse assunto.

Mas não sosseguei de verdade: o que parecia simples tinha virado hábito. E eu precisava desvirá-lo.

O caso era mesmo grave: fui conferir minha lista de livros inacabados e a pilha tinha pelo menos três falando de hábitos e da mania de procrastinar. Eu havia começado todos eles – mas não tinha terminado, e eu não sabia muito bem porque…

Uau. Até para aprender a parar de procrastinar eu procrastino.

Não desisti. Talvez aqueles livros fossem longos demais, ou muito técnicos (não aguento!). Dei uma nova olhada, com atenção. Encontrei, nesse meio, um que não tinha nem sido aberto. Me horrorizei com a Amazon apontando a data da compra: 24 de novembro de 2017. Mais de um ano atrás. Seria eu um caso perdido?

Em estado de choque, finalmente cliquei no e-book Procrastinação: Guia Científico sobre como parar de procrastinar (definitivamente). O título prometia. Eu estava decidida a ler ele inteiro, com direito a resenha pro Literama e pressão da Laís depois. ;p

A autora, Lilian Soares, começa bem, de forma leve e interessante. Por a + b, prova como a procrastinação é capaz de afetar nossa qualidade de vida; e eu, encarando aquelas linhas, só arregalava os olhos e confirmava tudo com a cabeça.

Eu já tinha lido por aí que o procrastinador é alguém que se dá pouco valor. À primeira vista parece o contrário, né? O fato de a gente sempre acreditar que vai dar conta das coisas e deixá-las para última hora soa, no mínimo, como arrogância.

Mas, lendo o livro, entendi que procrastinar é um hábito de quem que não acredita em si e que, embora se sinta sufocado, sendo pressionado pelos outros, só assim consegue se perceber como alguém que importa (é profundo e triste, eu sei). Traduzindo, dá-lhe terapia pra superar essa falta de amor próprio e turbinar a autoestima.

Além dessa treta interpessoal, conforme a autora nos conta, ficamos exaustos só de pensar no que temos de fazer justamente por causa desse verbo: TER. Ela sugere que a gente troque o “eu tenho que fazer” por “eu quero fazer”. Um truque simples para enganar o cérebro e amenizar a sensação de pânico que nos acomete quando estamos atarefados. Esse truque pode ser adaptado para, basicamente, qualquer coisa.

No meu caso, ficou assim: ao invés de “caramba, eu tenho que escrever 3 textos para aquele cliente até as 17h!”, aderi ao “eu quero escrever 3 textos fodas para aquele cliente até as 17h!”. O adjetivo foi por minha conta, mas deu pra entender, né?

Técnica usada e aprovada.

De modo geral, até metade do livro, somos bombardeados com dados científicos simples de entender, exemplos práticos do ciclo da procrastinação e de como nos sentimos quando nos rendemos a esse hábito – e quando o deixamos de lado -, além de várias ideias legais pra dar um fim nesse monstro.

Por exemplo, uma outra técnica que também adotei foi a de gritar para mim mesma

3, 2, 1… JÁ!

Não sei que mágica é essa, só sei que me dá um desespero pra sentar logo a bunda na cadeira e fazer o que tem de ser feito… dá até dó de me ver! Lilian Soares diz, em Procrastinação: Guia Científico sobre como parar de procrastinar (definitivamente), que esse comando supersimples é capaz de ativar uma área de urgência no cérebro que nos impulsiona a agir sem pensar demais. O negócio é não dar tempo pra gente sentir vontade de fazer qualquer outra coisa.

Foca no que você tem de fazer, grita e sai correndo.

Sabe, vou confessar pra você: tô meio sem graça de dizer que um livrinho xumbrega desses me ajudou. Xumbrega porque, a certa altura, Lilian desanda: começa a citar demais Charles Duhigg, autor de O poder do hábito, e você passa a ter a sensação de que ela perdeu a voz e só copiou e colou trechos interessantes do livro dele (que, por coincidência, faz parte dos que comecei e não terminei).

Mas que se dane, vou assumir. O livro não é divino, mas serviu pra mim. É fácil de ler e compreender. Talvez o que uma procrastinadora como eu precisava era exatamente disso: um “compiladão” de ideias, nada muito novo, colocado de forma simples e eficaz em poucos parágrafos. Exemplos nos quais me vi, dicas de como resolver e umas citações mais gordinhas pra dar embasamento. E fim.

Foi útil, e é isso que interessa.

Eu buscava uma solução e encontrei. Do contrário, você não estaria me lendo agora… 🙂       

 

Acorda, menina!

Já diria Ana Maria Braga. Tá na hora de dominar o mundo! Compre o livro pelo link abaixo e ajude o Literama a parar de perder tempo inventando desculpas sensacionais para atrasar a próxima resenha.

 

Sobre a autora

Paty Cozer é profissional de Letras que apostou tudo no universo freelancer para trabalhar de casa e morar perto da praia. Revisora de textos e produtora de conteúdo que se divide entre escrever, caçar framboesa e se apaixonar por Floripa.

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