O discurso de Rowling

Existem duas formas fáceis de encontrar as obras de J.K. Rowling em uma livraria: procurando por Harry Potter – qualquer coisa de Harry Potter – ou por Robert Galbraith, pseudônimo da escritora para sua linha de ficção não-fantástica, da qual indico fortemente Morte súbita.

Dia desses, passando por uma loja de artigos nerd, me deparei com outra coisa dela. Um livrinho fino chamado Vidas muito boas. Custava pouco mais de 30 reais e me encheu de curiosidade. Levei pra casa, onde a leitura durou pouco mais de 20 minutos. O livro era a transcrição do discurso de Rowling, feito em 2008, para uma turma de graduandos de Harvard. Nele, falou sobre fracasso, imaginação e como as duas coisas interagem de maneira complementar na nossa vida.

Discursos de formatura são naturalmente emocionais. Não importa a celebridade que esteja falando para uma turma de jovens sonhadores, é sempre bom dar uma olhadinha nos vídeos que pipocam no YouTube. Quando alguém que faz sucesso, em qualquer área, é convidado a falar a formandos, o mundo tem uma obrigação implícita de parar para ouvir. Não porque sejam celebridades, mas porque estejam falando para pessoas que acabaram de se formar.

Quem teve a oportunidade e o privilégio de passar por uma colação de grau sabe o quanto esse momento carrega sonhos, medos, alívio e curiosidade pelo futuro. Todos os conselhos, nesse dia, são muito bem-vindos. Afortunados são os que continuam a ouvir bons conselhos depois que já estão com o diploma na mão.

O discurso de Rowling é importante, nesse sentido, porque coloca luz sobre a imaginação. Uma mulher como ela tem isso de sobra. Ela conta da época em que passou aperto, flertou com o que a sociedade cunhava como fracasso e como saiu dessa situação canalizando sua energia para a imaginação. Ao se ver sem esperanças de pertencer aos trabalhos convencionais que a sociedade lhe proporcionava, abraçou a possibilidade de brilhar na única arena a que julgava pertencer: a dos escritores. Foi fundo. O resto da história a gente já sabe.

Todos temos momentos na vida em que precisamos usar a imaginação para nos livrarmos de encrencas. Roteiristas ao redor do mundo ganham dinheiro fazendo histórias sobre a criatividade contra os problemas para as telas de cinema – a maioria com final feliz. Imaginar é a capacidade de entender as possibilidades de experiências que nunca vivemos. Só nossa espécie tem a chance de fazer isso.

E, como bem lembra Rowling, muitos de nós se esquece de, simplesmente, imaginar.

A imaginação não tem interesses nem regras, ela apenas acontece. Podemos imaginar o pior possível – a ansiedade é uma ótima catalisadora dessa percepção –, o melhor possível, coisas que nunca existiram. Podemos fazer livros, filmes, contar histórias de dormir ou casos na mesa de bar sobre aquilo que não vimos, com nossos próprios olhos, mas que são coisas sobre as quais podemos imaginar.

O maior presente que Rowling deu em seu discurso de 2008 para um auditório repleto de mentes sonhadoras é que o mundo pode ser mágico para além dos livros de Harry Potter. Aliás, ele poderia ser mágico mesmo se nenhuma história de bruxo, de fada ou de feiticeiro existisse. Seria mágico simplesmente porque podemos imaginar, sonhar e, com isso, inovar. Evoluir.

O discurso de J.K. Rowling está gratuitamente disponível no YouTube e vai te exigir vinte minutos de audiência. O link está aqui. Mas, se puder dar um conselho – não tão bom quanto os que ela dá em sua oração, mas bom –, procure por esse livrinho e o compre. Nenhuma experiência em vídeo com a britânica será tão intensa quanto ler suas palavras, como nos acostumamos a fazer por tantos anos.

E, para completar, a diagramação e o design são bem lindos.

No conteúdo, ela deseja a todos vidas muito boas. Só nos resta vivê-las.

 

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