O Pequeno Príncipe: um livro de perdas – e ganhos

Por Rafaella Azevedo

Pergunte a alguém, qualquer pessoa, sobre a primeira vez em que ela ficou frente a frente com O Pequeno Príncipe. E, se a pessoa ainda não o conhecer, faça a ela o favor de apresentá-los.

Vou contar como foi o meu encontro com O Pequeno Príncipe.

Me lembro de olhar, no armário cinza de casa, um livro fininho. Capa bege, lombada vermelha, sem nada que pudesse atrair a visão de uma criança de 9 anos. 

– Pai, o que tem escrito ali dentro?, perguntei.

Ele, com um olhar sincero, me disse que era uma das obras mais lindas que havia lido em toda sua vida.

Curiosa desde sempre, agarrei aquele livro e resolvi folhear. 

Esse gesto simples, de pegar um livro em uma estante, marcou o início de uma história. É uma memória que guardo com carinho, e que vem à tona sempre que alguém me fala do Pequeno Príncipe. Li e reli a obra tantas vezes que acabei decorando o capítulo inicial. 

Frase por frase. 

Na época, a paixão foi tão grande que fiz minha professora da escola “obrigar” a turma a ler, assistir ao filme – versão de 1974 – e até fazer uma prova sobre o livro (foi mal, galera!).

Nasci ao mesmo tempo que o sol…

O livro d’O Pequeno Príncipe me desperta um milhão de sentimentos. Dentre eles, me faz pensar sobre a perda. 

Quantas vezes na vida você já se sentiu perdido? Seja no percurso ou de si mesmo. 

Essa busca por algo ou alguém perdido gera dúvidas e, logo, vem a transformação. Assim, embarcamos numa jornada incrível que só a vida pode proporcionar. 

No final das contas, conseguimos entender nossos verdadeiros desejos, angústias, alegrias e ambições. Tudo aquilo que realmente nos faz ter vontade de viver.

É sempre bom lembrar que nunca somos a mesma pessoa todos os dias, por isso é essencial nascer sempre junto com o Sol, assim como o Pequeno Príncipe. 🙂

Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante 

Na obra de Saint Exupéry o sentimento de perda recebe outro significado também. Para exemplificar, vou contar uma situação.

Recentemente perdi uma das mulheres mais importantes da vida: minha avó. As pessoas acabam dizendo que isso é comum, que vai de acordo com o ciclo da vida. Mas a perda vai muito além das óbvias constatações sobre nascer, crescer e morrer.

É sobre nascer, encantar e partir.

A perda me fez perceber que o tempo é a única coisa que realmente temos nesse mundo. E esse tempo que passei com ela mostrou a importância de nos dedicarmos às pessoas que gostamos.

Vovó não era uma mulher de demonstrar afeto com abraços e beijos. Porém, seu carinho era visível quando deixava a despensa cheia de doce de leite de quadradinho e arroz doce. Isso era uma das formas que ela tinha de demonstrar o carinho que sentia por todos: dedicando seu precioso tempo.

A alquimia da vida é transformar o tempo em evento

O Pequeno Príncipe é, definitivamente, uma das minhas obras favoritas da vida. Ter a oportunidade de reler a história para poder escrever esse texto me gerou tantas reflexões! Parece até um presente do Universo…

Aqui vão alguns conselhos para você, quando chegar a próxima oportunidade de viajar nesse livro: leia-o atentamente, e com o coração aberto; tenha uma caixinha de lenços do seu lado e um bloquinho de notas para as citações (#necessário).

Meu último conselho é, na verdade, um pedido: que a obra te desperte a vontade de compartilhar mais a vida com o outro, transformando o tempo individual em evento. 

Reservo este último espacinho para poder agradecer a minha avó por ter proporcionado tantas memórias incríveis e usado seu tempo conosco, principalmente lá em casa. Todas as estrelas ficaram floridas com a sua chegada!

Quer ler O Pequeno Príncipe – pela primeira vez ou de novo?

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