Dica de leitura: It – A obra-prima do medo

Certo dia, em 2016, recebi um presente: um volume de It, de Stephen King, em “edição de bolso”. Nessa diagramação, o livro tinha ~apenas~ 1.093 páginas. E estava em inglês. Seria o primeiro livro de S.K., que é um dos meus autores preferidos, que eu leria em sua língua-mãe.

Embora seja fluente em inglês, confesso que a leitura não foi fácil. São muitos os personagens, as situações e as palavras que cabem em mil páginas. It, que em português recebe o nome de IT – A obra-prima do medo, foi o livro que mais demorei para ler em toda minha vida: seis meses.

Cada segundo valeu a pena. É em uma leitura despretensiosa e nada breve como esta que a gente descobre porque o cara recebeu o título de “o rei do horror”.

Antes de pegar esse volume, Já tinha lido dois livros do autor, O Iluminado e À Espera de um Milagre. Eu já estava acostumada em perceber que o terror de King está na sutileza de suas descrições. Por isso é que demorou um tempo até que eu pudesse situar todos os nomes e carinhas na minha imaginação.

It não chegou a me dar medão, como eu senti em O Iluminado, mas, enquanto tive o calhamaço na minha mochila, sonhei várias vezes com elementos da obra! Ela narra a história de uma turma de amigos de infância, de uma cidade chamada Derry, que se reúne, na fase adulta, para tentar vencer “a coisa” que eles acreditam ter praticado diversos assassinatos na cidade por anos a fio.

O revival é liderado pelo escritor Bill Denbrough, que, quando criança, teve seu irmão mais novo assassinado brutalmente enquanto brincava com um barquinho de papel perto de um bueiro. Na edição mais nova do filme It, é com esse acontecimento que a história começa.

Não quero dar spoilers ou estragar a experiência de ninguém com esse conto de terror, mas preciso dizer o que o livro significa para mim: é, acima de tudo, uma história de amizade. O sangue, a morte, as coisas horríveis e o clássico “palhaço assassino” fazem parte de quase todas as 1.093 páginas, mas é a amizade das crianças que prevalece no conjunto da obra.

Acho que a série Stranger Things lembra muita coisa de It, apesar de as obras terem roteiros completamente diferentes.

Como eu não consigo ler nada sem elucubrar sobre o que o autor estava pensando (tenho certeza absoluta que a morte é a “Anunciação” de Alceu Valença, embora nunca tenha perguntado diretamente pra ele), acredito que o palhaço Pennywise, que “inspirou” muitas fantasias de palhaços assassinos ao redor do mundo, foi tirado de um acontecimento da vida real.

It começou a ser escrito em 1981 e demorou quatro anos para ser concluído. Em 1978 foram descobertos os crimes do palhaço assassino da vida real mais famoso dos EUA, John Wayne Gacy. Em uma entrevista, Stephen King disse que queria era escrever sobre trolls vivendo no esgoto e o que acontece na infância de uma turma de amigos para que eles se tornem os adultos que são.

Sendo assim, o palhaço assassino chamado Pennywise foi uma “manobra” do escritor para personificar um troll no início da narrativa, mas não sei não. John Wayne foi condenado a 21 prisões perpétuas e 12 penas de morte pelo assassinato brutal de 29 crianças em 1988, apenas três anos após o lançamento de It. Não pode ser só coincidência. ;p

Por fim, It é uma história de terror, como não poderia deixar de ser, mas vejo mais de criação de personalidade e de laços familiares nas páginas do livro do que puramente um thriller de horror. É assim que King faz: ele vai fundo no íntimo de seus personagens para que o leitor consiga entender seus destinos – e fazer parte da história.

O “segundo capítulo” do novo It cinematográfico deve ser lançado ainda em 2019. O que posso sugerir é que você tire uns dias, ou meses, leia a obra (se puder ser em inglês, melhor ainda), veja o filme antigo, veja o filme novo, espere pelo próximo capítulo, pague o ingresso, pegue a pipoca.

E, enquanto isso, tente ter bons sonhos.

 

Se a luz estiver acesa…

… aproveite a coragem que ela dá para comprar o livro, seja em inglês (recomendo muito) ou em português. Escolhendo uma das versões (ou as duas! Por que não?) pelo link abaixo você ajuda o Literama a juntar um dinheirinho para pagar as sessões de terapia pós-livros de Stephen King. ;p

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